Vencedor inédito nas motos, Bruno Crivilin, tetra de Moraes/Bentivoglio nos carros e de Deni/Gunnar nos UTVs. José Cardoso/Fred Zettel são os primeiros vencedores da Production.
Oito dias, mais de quatro mil quilômetros de caminhos exigentes pelo coração do Brasil. E lágrimas, muitas delas, ao cruzar pela última vez neste domingo (30) a célula de cronometragem. Sinônimo do que as palavras de pilotos e navegadores também definiram: foi um Sertões de gente grande; um rally de verdade. Completá-lo, mais do que nunca, foi um feito. Vencer, uma façanha de dignos campeões, celebrados em grande estilo no retorno a Goiânia.
Lucas Moraes e Kaíque Bentivoglio (Protótipo MEM/MEM Motorsport) tiveram um último dia de disputa mais tranquilo, mas nem por isso menos emocionante e festejado. O tetra do primeiro brasileiro campeão mundial de rally raid e do amigo e fiel navegador foi construído desde o Prólogo, com um desempenho impressionante: vitórias em seis das oito etapas, por diferentes tipos de terreno e características do percurso. Num ano que se mostrou extremamente desafiador, Lucas teve a oportunidade de mostrar todo o talento que o levou, a partir do Sertões, a se transformar em referência internacional da modalidade. E Kaíque se igualou a Beco Andreotti como o navegador mais vitorioso em 34 edições. Segunda posição para Marcelo Gastaldi / Cadu Sachs (Toyota GR Hilux DKR/Baja Tek), campeões em 2023. O terceiro lugar de Flávio Lunardi / Fred Budtikevitz (Toyota Hilux IMA/Bulldog Racing) foi o melhor resultado da dupla.
Novidade no Sertões 2026, a Production reuniu os carros com menor nível de preparação e os modelos da Classic, lançados até 2005 ou que tenham disputado o rally originalmente até 2006. A modalidade deu um toque internacional ao pódio com a conquista do português João Cardoso, ao lado de Frederico Zettel. Resultado que deve bastante a outro campeão da prova como piloto – Maurício Neves, responsável pela preparação da Mitsubishi L200 RS Protom da dupla.
João Cardoso, de 65 anos, estreou no Sertões em 1998 e também disputou a prova em 2000 e 2013. Depois de um hiato de 13 anos sem participar de competições, ele voltou este ano e conheceu a máquina que iria comandar na véspera do prólogo, juntamente com o navegador, Fred Zettel, de 44 anos, que fez sua estreia no Sertões. “Sempre bom vencer, especialmente quando penso que não passamos por nenhum susto, um pneu furado sequer. Não foi fácil, eu estava enferrujado e não conhecia o carro, mas aqui estamos. Deu tudo certo”, conta o piloto. “Realmente foi uma prova muito dura, puxada, bem difícil. Já caí em uma edição exigente, para nós e para o carro, e na sétima etapa ainda tive uma desidratação. Chegamos na frente graças a vários fatores: o carro muito bom, o trabalho do time, o João, que se superou. Muito orgulho de tudo, é um prazer chegar ao final”, conta Fred.
Imprensa Sertões – Rodrigo Gini / Aline Ben / Daniel Beting / Roberta Corbioli
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